Este artigo é um comentário ao artigo do ilustre advogado Dr. Leandro Paradella, publicado aqui no BPS Notícias, onde ele questiona o apoio de vereadores do PT e do PCdoB à gestão do PL em Porto Seguro. Paradella foi preciso ao levantar o tema e, a partir dele, vale ir um pouco além da superfície e olhar com lupa o que realmente acontece por trás da cortina.
Há quem ainda acredite que o Partido dos Trabalhadores é um só. Não é. O PT é uma federação em si mesmo um condomínio de facções, cada uma com seu feudo, seus caciques e seus arranjos de ocasião. É o MDB reencarnado em vermelho, e com a mesma elasticidade moral de quem se curva conforme o vento do poder sopra.
Aliás, o PT não só se assemelha ao MDB é aliado dele desde a eleição de Fernando Haddad contra Bolsonaro, quando o PT e suas lideranças chamavam o MDB e seus morubixabas de “golpista” passou a dividir palanque e projetos. Sim, o mesmo MDB que, segundo o próprio PT, derrubou Dilma num golpe. Pois é. Agora, dividem mesa, cargos e cafés da manhã. Golpe mesmo, parece, foi contra a coerência.
E o que dizer do governador Jerônimo Rodrigues, que hoje posa ao lado de Geddel Vieira Lima sim, ele mesmo, o homem do apartamento entupido de malas de dinheiro. O PT, que nunca confiou nos bancos, (embora tenha gerado um lucro monstruoso a eles) talvez tenha aprendido com Geddel que é mais seguro guardar dinheiro em malas num quarto de apartamento.
Mas não sejamos injustos: a vocação do PT para a “boquinha” não é novidade. Já em 2005, o então deputado Roberto Jefferson, em meio ao escândalo do mensalão, batizou o partido com o epíteto que jamais o abandonou: “o partido da boquinha”. De lá pra cá, o apelido virou missão.
E o PCdoB, coitado, perdeu até a graça do hino. De comunista, restou o nome. Virou satélite de luxo da órbita petista um planeta sem luz própria, girando em torno do PT em busca de gravidade, espaço e algum raio de visibilidade. No fim, virou legenda de aluguel, adaptável a qualquer coligação, contanto que sobre uma secretaria, uma autarquia ou um DAS no horizonte.
Em Porto Seguro, o espetáculo se repete em escala municipal. Vereadores que deveriam fiscalizar o Executivo preferem disputar o mesmo balcão de favores. Sonham menos com a ética e mais com uma boquinha para o cabo eleitoral, um carguinho para o parente, uma obra para posar de pai da criança quando não passam de repassadores do dinheiro público que deveriam vigiar.
São meros entalhes de uma vaidade coletiva, marionetes que acreditam mover os fios enquanto são puxadas por mãos muito mais hábeis e, claro, mais bem pagas.
Encenam integridade nas segundas, fazem promessas nas terças, e na quarta já estão pedindo um carguinho para o sobrinho. A política municipal virou um teatro de marionetes com roteiro de circo e figurino de repartição pública.
E o eleitor, coitado, segue fiel. Vai às urnas com esperança no bolso e sai de lá com vento nas mãos e, às vezes, nem isso, porque o vento também já foi loteado.
Aplaude, se indigna nas redes sociais e, quando chega a próxima eleição, vota de novo no mesmo figurante, acreditando que agora o espetáculo será diferente.
Enquanto isso, nossos vereadores desfilam sua importância de vitrine, inflando o peito em plenário, posando para fotos e acreditando que representam o povo quando, na verdade, mal representam o próprio reflexo no espelho da vaidade.
São protagonistas de nada, coadjuvantes de tudo. O teatro é velho, os atores são os mesmos e o público, ah, o público continua pagando o ingresso.