Da maconhazinha social ao deputado do Comando Vermelho, o Brasil perdeu a guerra contra as drogas e ainda finge que discute soluções.
O Rio virou uma prévia do apocalipse. Um trailer sangrento do que acontece quando o Estado pede exoneração e o crime assume o cargo. O Grande Rio que de grande só tem o tamanho do desastre é administrado por dois partidos mais eficientes que qualquer governo: o Comando Vermelho e as Milícias S/A. Um cuida da “distribuição”, o outro da “segurança”. Juntos, formam o consórcio da barbárie.
A cada operação policial, o país se divide: de um lado, os que berram que a polícia não deve subir o morro; do outro, os que gritam que bandido bom é bandido morto.
Entre um e outro, o morador da favela continua acordando com o barulho de helicóptero e dormindo com o medo de não acordar.
A esquerda, essa eterna adolescente moral, ainda tenta decidir se o crime é uma consequência social ou um parceiro de diálogo. Fala em “política de segurança cidadã” enquanto os traficantes desfilam de fuzil, iPhone e colete tático.
E foi preciso o ex-presidente do PT, Washington Quaquá, lembrar o básico:
“ninguém enfrenta fuzil com beijinho”.
Demorou, Quaquá, mas alguém finalmente trocou a flor no cano da arma por um neurônio ativo. A esquerda precisa entender que defender a vida não é ser reacionário é ser adulto.
Do outro lado, a direita bate continência para o caixão e repete o mantra de botequim:
“bandido bom é bandido morto”.
Mas o problema é que o bandido morto é substituído por dois vivos e um vereador.
O discurso da bala como solução é tão simplista quanto o da empatia seletiva.
Enquanto os extremos trocam moral de 140 caracteres, o Rio sangra em silêncio.
E por trás dessa carnificina, há uma verdade que ninguém quer admitir: a guerra contra as drogas está perdida.
Começou com a “maconhazinha social” da balada, o “pozinho recreativo” do final de semana e o “baseadinho da liberdade”. A elite compra o pacote premium, o pobre morre no atacado, e o tráfico faz o balanço trimestral com lucro recorde.
Da rave à laje, o dinheiro é o mesmo e, agora, tem até deputado com crachá no crime: o famoso TH Joias, o parlamentar que fazia o corre entre a Assembleia e o Comando Vermelho. Um deputado do tráfico! Eis o ponto em que a república desce a ladeira e o abismo pede carona.
Já perdemos a guerra! O problema é que fingimos que ainda há batalha. Hoje é o Rio; amanhã, São Paulo, Ceará, Bahia... A violência é a exportação mais eficiente do Brasil. Enquanto isso, seguimos anestesiados, discutindo se a polícia deve ou não subir o morro como se o morro não tivesse descido há muito tempo.
Pergunta que ninguém quer fazer:
Quando vamos falar sério sobre isso?
Quando o debate sair do sofá militante e do discurso eleitoral e enfrentar o fato de que o país está se tornando uma colônia do crime?
O Rio só é o bode na sala, o Brasil inteiro tomado pelo tráfico é o próximo passo.