
A declaração do deputado federal e pré-candidato à reeleição pelo PT, Valmir Assunção, evidenciou o alinhamento de um grupo do partido com a base política do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal (PL). Durante agenda política, o parlamentar afirmou que fará dobradinha eleitoral com Jânio Natal Júnior, filho do prefeito e pré-candidato a deputado estadual.
Ao justificar a aliança, Valmir Assunção declarou:
"Vou dobrar porque Jânio deu duas secretarias para nós do PT, com um conjunto de pessoas nossas que está trabalhando nessas secretarias, nesses espaços. Essas pessoas vão votar nele e vão votar comigo."

A declaração confirma a aproximação entre uma ala do PT e a gestão municipal comandada pelo PL, partido que ocupa posição de oposição ao governo federal e ao PT no cenário nacional.
Na prática, essa composição política não é recente. Desde as eleições municipais de 2024, um grupo do PT de Porto Seguro — partido que integra a federação com PCdoB e PV — decidiu apoiar a candidatura à reeleição de Jânio Natal. Como resultado desse alinhamento, integrantes ligados a essa corrente passaram a ocupar cargos na administração municipal.
Entretanto, o posicionamento não representa unanimidade dentro do partido no município. Outra ala do PT optou por não apoiar a candidatura de Jânio Natal nas eleições de 2024 e lançou uma candidatura coletiva à Câmara Municipal, encabeçada pelo professor Euvadelis.
Dessa forma, a dobradinha anunciada entre Valmir Assunção e Jânio Natal Júnior reflete o apoio de um segmento do PT local, mas não representa oficialmente todo o partido em Porto Seguro. A existência de correntes com posicionamentos distintos demonstra que a legenda permanece dividida quanto à relação política com a atual administração municipal.
A aliança também evidencia que a ocupação de espaços na administração municipal por esse grupo do PT se sobrepôs às diferenças ideológicas historicamente existentes entre PT e PL. Esse tipo de composição pode gerar dúvidas sobre os limites entre alianças administrativas e alianças eleitorais, especialmente quando lideranças de partidos que se apresentam como adversários em âmbito nacional passam a atuar conjuntamente em disputas locais.