Entre o que sinto e expresso
Pareço um lago inquieto
Onde a memória cintila
Penso e pensar é cisco no deserto
Desse quadro ainda não visto
Sou isto – um verso incompleto
No bojo de algum poema aflito
Mas na verdade ouvir o grito
Desse coração em cacos
Cessa seu baque surdo e profundo
Quando o espasmo passa é porque doeu
O mesmo de sempre o que nunca foi meu
E isto sim sou eu
Se o mundo tão direto em seu giro
Entra-me ouvido adentro reflito:
Doido ou doído o fato de eu ser
Um reflexo um talvez um suspiro