
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) marcou para o dia 5 de maio o júri popular dos três acusados de envolvimento no assassinato dos professores e dirigentes sindicais Álvaro Henrique e Elisney Pereira, crime ocorrido em 2009, no município de Porto Seguro. A decisão reacende a expectativa por justiça após mais de uma década de espera e mobilização da categoria.
O duplo homicídio aconteceu em 17 de setembro de 2009 e chocou a comunidade escolar baiana pela violência e pelo contexto em que se deu. Álvaro Henrique, então com 28 anos, era pai de uma criança de dois anos à época e havia tomado posse, em julho daquele ano, como presidente da APLB-Sindicato. Já Elisney Pereira, de 31 anos, era casado e pai de três filhos menores. Ambos integravam a rede municipal de ensino e atuavam ativamente na defesa da educação pública.

À frente da entidade sindical, Álvaro liderava mobilizações em defesa de uma escola pública de qualidade e vinha denunciando supostas irregularidades na aplicação de recursos do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). As denúncias e o engajamento político-sindical deram contornos ainda mais graves ao crime, levantando, à época, questionamentos sobre possíveis motivações relacionadas à atuação dos educadores.
Desde então, a APLB-Sindicato manteve mobilização constante, cobrando celeridade nas investigações e responsabilização dos envolvidos. A realização do júri popular representa um marco no processo judicial e é vista por familiares, colegas e movimentos sociais como uma etapa fundamental para o desfecho do caso.

Mais do que o julgamento de três acusados, o júri simboliza a tentativa de resposta institucional a um episódio que marcou profundamente a educação baiana. Passados mais de 15 anos, a expectativa é de que o julgamento contribua para reparar, ainda que parcialmente, a dor das famílias e reafirme o compromisso do Estado com a proteção de educadores e a defesa da legalidade na gestão pública.