
A recorrente ausência e falta de planejamento nas reformas das escolas municipais de Porto Seguro tem provocado impactos diretos no calendário escolar e reacendido o debate sobre a valorização da educação pública no município. Mais um ano letivo tem o seu início comprometido por obras realizadas sem organização prévia adequada, afetando estudantes, professores e toda a comunidade escolar.
No dia 24 de fevereiro, a comunidade da Escola Municipal Maria Helena Rodrigues Paschoarelli, localizada em Arraial d'Ajuda, encaminhou ofício relatando a situação crítica da unidade. Segundo o documento, a reforma ainda está em andamento, o que compromete a estrutura necessária para o funcionamento regular das aulas e exige a adoção de propostas alternativas de regime de ensino.
Situação semelhante ocorre na Escola Municipal Alcides Faustino, no distrito de Vera Cruz. A unidade ainda não iniciou o ano letivo devido a problemas em toda a rede elétrica e banheiros sem condições de uso. A realização das obras no período em que as aulas já deveriam estar acontecendo evidencia a ausência de um cronograma eficiente e preventivo por parte da gestão municipal.

O Colégio Municipal César Borges também enfrenta reformas em pleno período letivo, ampliando o cenário de instabilidade na rede pública de ensino. A execução tardia das obras reforça a percepção de improviso administrativo e falta de prioridade com a infraestrutura escolar.

A mesma situação de falta de planejamento é verificada na Escola Cantinho da Paz, localizada no bairro Frei Calixto. No local, os profissionais da educação se apresentaram para o início das atividades, porém não encontraram condições adequadas de trabalho em razão das obras e da estrutura comprometida, o que evidencia mais um episódio de desorganização administrativa.

A APLB - Sindicato tem cobrado mais respeito com a educação da cidade, destacando que as escolas deveriam estar reformadas, pintadas, com banheiros em plenas condições de uso e ambientes climatizados antes do início das aulas. Para o sindicato, garantir estrutura adequada é assegurar não apenas conforto, mas também qualidade no processo de aprendizagem.
Porto Seguro possui total condição econômica para oferecer melhores estruturas escolares e maior valorização dos profissionais da educação. No entanto, a repetição anual de problemas estruturais revela uma gestão que ainda não se mostrou competente para garantir o funcionamento pleno das unidades no início do calendário escolar.
A educação pública municipal, pilar essencial para o desenvolvimento social, não pode continuar sendo impactada por falhas administrativas previsíveis. Planejamento, transparência e compromisso com a comunidade escolar são medidas indispensáveis para que situações como essas deixem de comprometer o direito fundamental à educação de qualidade.