As coisas não têm dentro nem fora
Nós que escolhemos e imaginamos
O que se recobre e o que fica à mostra
Transparência é isso
Descobrir que o escudo também é limpo
Que ausência tem corpo leve e desaparece
Como os traços da onda na água
Estamos desnudos por dentro das roupas
Esse tecido é só disfarce da armadura
O corpo não mente sobre o que é
A costura nos prende ao que somos
Entre botões que nos fecham dentro de casa
Mas há um rasgo íntimo por onde o vento entra
E o nu que somos nunca se engana
Despe-nos da pressa do vestir o que se quer
No cesto a roupa guarda o que a alma não perde
Perfume e fedor misturam-se
E quando nos viramos do avesso
Restamos pelados feitos de fronteira
Entre presente e passado somos a dobra
@psrosseto