
Mobilização da Campanha Nacional denuncia fechamento de agências, precarização do atendimento e pressão sobre funcionários em bancos públicos e privados.
Os bancários de Porto Seguro promovem, na próxima segunda-feira, um ato público em frente às agências da Caixa Econômica Federal e do Itaú como parte da Campanha Nacional dos Bancários. A mobilização, organizada pelo Sindicato dos Bancários do Extremo Sul da Bahia, pretende chamar a atenção da sociedade para o que a categoria considera um processo crescente de desrespeito aos trabalhadores e de deterioração dos serviços prestados à população.
De acordo com o dirigente sindical Moisés Vital, a manifestação utilizará dois símbolos para dialogar com os clientes e a comunidade. Serão distribuídos pastéis, representando o "papelão" dos bancos, que, segundo o sindicato, acumulam lucros bilionários enquanto reduzem investimentos em pessoal e atendimento. Também serão oferecidos sonhos, simbolizando o desejo frustrado dos bancários e dos usuários por um sistema financeiro mais humano, com melhores condições de trabalho e serviços de qualidade.
Segundo o sindicato, os bancos vêm promovendo o fechamento de agências, reduzindo o número de funcionários e impondo metas cada vez mais rígidas e estressantes. Para a entidade, essa política compromete tanto a saúde física e mental dos trabalhadores quanto o atendimento ao público, especialmente da população mais vulnerável, que depende do atendimento presencial para acessar serviços bancários.
A entidade também critica a redução dos investimentos em infraestrutura e no quadro de empregados, afirmando que a estratégia prioriza o aumento dos lucros em detrimento da qualidade do atendimento e da inclusão financeira. Na avaliação dos representantes dos trabalhadores, a concentração dos serviços em menos agências provoca filas maiores, demora no atendimento e sobrecarga para os empregados.
O movimento sindical sustenta que modernização e eficiência não podem significar precarização das relações de trabalho nem redução do acesso da população aos serviços essenciais. A manifestação em Porto Seguro busca justamente ampliar esse debate, defendendo que o sistema bancário deve conciliar inovação tecnológica, valorização dos trabalhadores e atendimento digno aos clientes.
Com o ato, os bancários pretendem sensibilizar a sociedade para um problema que, segundo a categoria, vai além das reivindicações salariais: trata-se da defesa de um atendimento bancário acessível, seguro e de qualidade para toda a população, especialmente para aqueles que mais dependem das agências físicas.