
No último domingo, 21 de setembro, o Brasil testemunhou um novo capítulo na relação entre povo e política. Milhares de manifestantes tomaram as ruas em diversas cidades do país, inclusive Porto Seguro, empunhando cartazes, usando camisetas, cantando dançando, empunhando bandeiras de partidos, sindicatos e ongs, além da verde e amarela — símbolo que, nos últimos anos, havia sido apropriado por setores da extrema-direita.
O ato, realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, foi emblemático: a bandeira do Brasil resgatada por um povo plural, em contraposição direta à bandeira dos Estados Unidos, país que promove intenso ataque à soberania brasileira, exibida em protesto bolsonarista no feriado de 7 de setembro.
As manifestações, que reuniram estudantes, trabalhadores, lideranças de movimentos sociais, partidos progressistas e cidadãos sem filiação partidária, foram convocadas contra a chamada PEC da Blindagem — apelidada por opositores de “PEC da Bandidagem” e a Anistia para os golpistas.
O retorno do verde e amarelo aos atos progressistas marca uma tentativa clara de disputar os símbolos nacionais e retomar o sentido de unidade democrática, por anos sequestrado por discursos autoritários. A bandeira, antes associada exclusivamente ao bolsonarismo, foi reconfigurada neste protesto como emblema da resistência democrática.
A presença de cartazes, faixas e palavras de ordem denunciando o avanço de pautas antidemocráticas e o enfraquecimento das instituições foi acompanhada por discursos inflamados de lideranças civis e políticas. A mensagem era clara: o Brasil não aceitará retrocessos em sua jovem democracia.
A força das manifestações já começa a produzir efeitos no cenário político. Parlamentares do chamado “centrão” e até mesmo alguns da base governista passaram a rever seus posicionamentos. Deputados que votaram a favor da PEC da Bandinagem têm vindo a público expressar arrependimento, pressionados pela repercussão negativa nas redes sociais e pelo eco das ruas.
Em tempos de desinformação e apatia política, a mobilização popular se reafirma como elemento fundamental para o equilíbrio das instituições e a manutenção do estado de direito.
As ruas voltam a ser palco de disputas simbólicas e políticas. E, neste momento, o que está em jogo vai muito além de uma proposta de emenda constitucional: trata-se da própria alma da democracia brasileira.