Conhecida mundialmente por suas belezas naturais e por seu papel histórico na formação do Brasil, Porto Seguro vive hoje um paradoxo: enquanto o turismo de luxo impulsiona a economia local, a cidade enfrenta um grave colapso estrutural provocado pela falta de planejamento urbano e de políticas públicas eficazes.
O crescimento acelerado da população, impulsionado pela demanda de mão de obra para o setor turístico, não foi acompanhado pela expansão adequada dos serviços essenciais. Problemas recorrentes no abastecimento de água e energia elétrica, falhas na coleta de lixo e a precariedade do sistema de esgotamento sanitário expõem a fragilidade da infraestrutura urbana e a ausência de um planejamento de longo prazo por parte das sucessivas gestões públicas.
A expansão urbana ocorre de forma desordenada, avançando inclusive sobre áreas de proteção ambiental. Essas ocupações irregulares surgem como única alternativa de moradia para trabalhadores do turismo, que, apesar de sustentarem a principal atividade econômica da região, enfrentam baixos salários, transporte público precário e acesso limitado a serviços básicos como saúde e educação.
O contraste entre resorts sofisticados e bairros periféricos sem infraestrutura revela uma cidade marcada pela desigualdade social. O modelo de desenvolvimento adotado privilegia o turismo de alto padrão, mas negligencia as condições de vida da população que mantém esse setor em funcionamento.
Sem um plano urbano sustentável que concilie preservação ambiental, crescimento econômico e justiça social, Porto Seguro corre o risco de comprometer não apenas seu patrimônio natural, mas também sua capacidade de se manter como destino turístico no futuro. O “paraíso”, cada vez mais, convive com o caos.