O Brasil é uma usina de aberrações políticas. Aqui, presidente não se aposenta: vai parar no banco dos réus. Collor caiu por corrupção e um Fiat Elba, Lula atolado na Lava Jato, e agora Bolsonaro entra no hall da fama da desgraça nacional: condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentar dar um golpe de Estado. É como se nossa democracia fosse reality show: todo mandato termina em eliminação, mas no paredão do STF.
Bolsonaro, o “mito”, virou mito mesmo mito de cela. O homem que gritava “democracia” nas lives terminou condenado por tentar dinamitá-la. O STF respondeu com uma martelada que não cabe nem em meme de zap: golpe não é piada, é crime.
E a reação? A mesma ópera bufa de sempre. A defesa grita “perseguição”, os seguidores enxergam conspiração intergaláctica, e a esquerda brinda como se o Brasil tivesse virado Suécia do dia pra noite. No fundo, todos sabem: continuamos a mesma comédia trágica onde ninguém presta, mas todo mundo finge ser herói.
Enquanto isso, o povo, essa massa sempre convocada a defender salvadores de ocasião, segue no papel de figurante. Trabalha, paga imposto, pega ônibus lotado e assiste, atônito, à elite política brincar de guerra de narrativas. O brasileiro é o único cidadão do planeta que precisa escolher qual bandido vai chamar de líder.
E não adianta se iludir com narrativas messiânicas. Todo “mito” que sobe ao palco brasileiro termina descendo pela porta dos fundos da Justiça. Não importa a cor da bandeira, nem o slogan da campanha aqui, a política é uma fábrica de decepções em escala industrial.
A condenação de Bolsonaro não é um ponto fora da curva. É a própria curva do Brasil: uma trajetória de líderes que confundem mandato com cheque em branco, poder com imunidade, povo com plateia. Cada julgamento é um espelho quebrado que devolve ao país sua face mais cínica.
E a democracia, tão citada e pouco compreendida, continua sobrevivendo apesar dos políticos. Não porque eles a protegem, mas porque insistem em testá-la até o limite. E, ironicamente, quanto mais tentam golpeá-la, mais ela prova que resiste.
Bolsonaro queria entrar pra história como salvador da pátria. Entrou. Só esqueceram de avisar que seria na ficha criminal.