De volta à Zona Azul – um filme que ninguém quer assistir

Em 1991 foi lançado o filme De Volta à Lagoa Azul (Return to the Blue Lagoon), do diretor americano William Graham. O filme, apesar das severas avaliações negativas e da nota baixíssima dada pela crítica especializada, foi insistentemente reproduzido no Brasil, ocupando a grade televisiva por dezenas de vezes, no famigerado Sessão da Tarde, da Rede Globo de Televisão.
O filme havia sido pensado como uma sequência de A Lagoa Azul, de 1980, do diretor Randal Kleiser, que rendeu uma polpuda quantia em bilheterias, mas também foi severamente criticado.
Já na pornochanchada que é a política portossegurense, estamos assistindo agora ao filme De Volta à Zona Azul, da atabalhoada gestão Jânio Natal. Um filme que, apesar de atrair um lucro exorbitante para a empresa operadora, é campeão de críticas nas redes e no dia a dia da população.
Se a Zona Azul pensada na gestão Cláudia já era ruim, conseguiu ficar pior em sua versão 2.0.
O estacionamento rotativo, nome técnico para a Zona Azul, é um instrumento importante para, como o próprio nome diz, estimular a rotatividade de veículos nas zonas comerciais, favorecendo o comércio local. Mas, obviamente, precisa fazer parte de uma política integrada de mobilidade urbana sustentável.
Na prática, com a privatização mambembe do serviço, sem nenhum parâmetro técnico ou urbanístico a balizar a atuação da empresa, o que Porto Seguro admitiu foi a privatização de dezenas de ruas do centro da cidade, sejam elas comerciais ou não, sem nenhuma tolerância de tempo de uso, com preços abusivos, multas extorsivas e fiscalização quase onipresente.
Ah! Quem dera se a fiscalização ambiental ou de obras da cidade funcionasse com tamanha presteza.
O problema em si, portanto, não é a política pública do estacionamento rotativo. Toda a população reconhece ser necessário em ruas como a Getúlio Vargas ou a Avenida dos Navegantes. Mas, infelizmente, como é comum nas gestões que passam por Porto Seguro, o defeito está sempre na dose do remédio, que, por excesso, passa a virar veneno. Estabelecimentos já começaram a reclamar da queda de clientes, assustados com os preços extorsivos, e moradores relatam multas de até 1000% em 24 horas de atraso. É de fazer inveja ao cheque especial!
Ruas que deveriam ser estruturadas segundo uma política de mobilidade urbana sustentável — com ciclovias, corredores exclusivos de ônibus, calçadas e arborização — passam a integrar o ativo financeiro de uma empresa sabe-se lá de onde, sabe-se lá de quem.
O certo seria que o sistema de estacionamento rotativo da cidade fosse público, gerido pelo município, em ruas comerciais específicas, com tolerância mínima de permanência, horários definidos e, sobretudo, fazendo parte de uma estrutura orquestrada de mobilidade urbana.
Porto Seguro precisa parar de ser palco de política pública tirada da cabeça de especialistas nas próprias ideias e começar a ser pensada e implementada por gente séria.
No espetáculo grotesco que é a política de Porto Seguro, a população deveria fazer como nos roteiros dos filmes da Lagoa Azul. Mas, desta vez, largar em uma ilha deserta os políticos da cidade e deixar que façam a sacanagem toda apenas entre eles.
Confesso que esse filme seria bom de assistir.

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