
Apesar dos recorrentes alagamentos nos bairros, da necessidade urgente de novas escolas e do caos cotidiano no transporte público, a gestão municipal de Porto Seguro volta a ser alvo de críticas por priorizar gastos considerados pouco alinhados às demandas mais urgentes da população. A decisão do prefeito Jânio Natal (PL) de contratar, por cerca de R$ 1 milhão, uma empresa de Goiás para realizar a decoração natalina da cidade reacendeu o debate sobre prioridades orçamentárias e estratégias políticas às vésperas de ano eleitoral.
A contratação ocorreu por meio de adesão a uma ata de preços do município de Barra do Garças (MT) e prevê uma série de estruturas decorativas: árvore e iluminação avaliadas em cerca de R$ 850 mil, uma Casa do Papai Noel estimada em R$ 108 mil, um castelo decorativo por R$ 55 mil e uma esfera iluminada de R$ 10 mil.

Enquanto ruas continuam a sofrer com enchentes periódicas e unidades escolares operam com capacidade limitada, recursos significativos têm sido direcionados para ações consideradas de apelo estético e de impacto imediato sobre o turismo. Contrariando o entendimento de turismo sustentável.
A política de obras com efeito visual, muitas vezes associadas a períodos eleitorais, não resolve problemas estruturais que afetam diretamente a qualidade de vida da população. O episódio evidencia, mais uma vez, o desafio permanente de estabelecer prioridades de interesse da população ou político eleitoral.