Sou essa casa cujos cômodos
Saem para o quintal
Sem corredores e tramelas
Que se trancam ou desconectam
São todos como os dias da semana
Que nunca se encontram
Mas sabem da graça que os irmanam
Assim a felicidade nunca dorme
Num quarto só
Nem fica trancada nas gavetas da sala
Ela é o vento que vasculha
Cada porta que dá pro fora
E não reclama de não ter passagem interna
Cada quarto abre sua janela no relento
E toda saída é um retorno
Para o mesmo chão obsoleto
Felicidade é então desabitar-se primeiro
Para ser quintal de cômodos tão íntimos
Onde outros caibam inteiros
@psrosseto