Dirigentes da APLB denunciam no PodPorto Podcast a má gestão da educação em Porto Seguro

Em participação no PodPorto Podcast, os dirigentes da APLB Sindicato, Deusdete Baião e Márcia Macedo, fizeram duras críticas à condução da educação pública em Porto Seguro, apontando falhas graves de gestão, desperdício de recursos e perseguição a profissionais da rede municipal. As denúncias reforçaram o papel do movimento sindical na defesa dos trabalhadores em um cenário de crescente precarização.

A importância da luta coletiva

Logo no início da entrevista, os dirigentes destacaram que a atuação sindical continua essencial para equilibrar a relação entre trabalhadores e gestores públicos. Os dados reforçam essa percepção: pesquisa Vox Populi apontou que 70% dos trabalhadores brasileiros acreditam que os sindicatos são importantes para garantir direitos. O levantamento entrevistou 3.850 pessoas, entre assalariados com e sem carteira assinada, autônomos, empreendedores, servidores públicos, trabalhadores de aplicativos, desempregados e aposentados — um recorte amplo que revela consenso social sobre a relevância da organização coletiva.

Segundo Baião e Macedo, a união permanece uma força indispensável diante da hipossuficiência individual do trabalhador frente ao Estado e ao poder econômico. Em sua avaliação, a luta isolada dificilmente gera conquistas; já a luta conjunta tem permitido enfrentar práticas consideradas arbitrárias pela categoria.

Gastos questionados e possível desperdício de recursos

Entre as principais denúncias apresentadas, está a compra de R$ 5 milhões em aparelhos de ar-condicionado sem que as escolas tivessem recebido melhorias nas redes elétricas para instalação. Para Deusdete, o valor seria suficiente para climatizar todas as escolas de Porto Seguro e Eunápolis, se a gestão tivesse planejado adequadamente.

Outro ponto crítico foi o investimento de R$ 7 milhões em kits de robótica, cujo destino, segundo os dirigentes, permanece desconhecido. A falta de transparência reforça, para o sindicato, a percepção de desorganização e mau uso dos recursos públicos.

Gestores despreparados e descumprimento de acordos

O secretário municipal de Educação, Luiz Leal, foi alvo de críticas diretas. Por ser advogado de formação, os dirigentes alegam que ele não possui experiência na área educacional e que descumpre acordos firmados com a categoria. O secretário de Administração, Tarcísio, também foi citado como responsável por um episódio considerado “desumano”: a demissão de mais de 300 profissionais da educação, em outubro de 2023, sem o pagamento dos direitos trabalhistas.

Como consequência, uma série de ações judiciais foi proposta contra a prefeitura por supostas ilegalidades cometidas tanto contra servidores efetivos quanto contra contratados.

Tentativas de fechamento de escolas

Deusdete e Márcia relataram ainda a tentativa do município de fechar unidades escolares instaladas em prédios alugados, como a Coruginha Feliz, no Mirante Caravelas, que atende cerca de 600 crianças, e a escola Jardim do Éden. Segundo eles, a medida teria sido tomada sem planejamento, já que não foram construídas novas unidades para acolher os estudantes.

FUNDEF: não repasse dos juros

Os dirigentes também denunciaram o não repasse dos juros do FUNDEF, determinado pela Justiça, referentes ao período de 1998 a 2006. Segundo o sindicato, o município deveria pagar não apenas o montante principal, mas também os juros acumulados ao longo dos anos.

Resultados positivos apesar da gestão falha

Apesar das críticas à administração municipal, os representantes da APLB destacaram que a rede municipal de ensino recebeu quatro prêmios de avaliação externa em 2025, reconhecimento que, segundo eles, é fruto do esforço dos profissionais da educação — e não da gestão. Esses resultados, afirmaram, mostram a capacidade dos trabalhadores de superar a falta de investimentos, de planejamento e de respeito institucional.

Abertos ao diálogo

Ao final, os dirigentes reforçaram que o sindicato mantém postura aberta ao diálogo, mas que continuará vigilante e atuante diante de qualquer ameaça aos direitos dos trabalhadores e à qualidade da educação pública em Porto Seguro.

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