Doutores de Delivery: A Juventude que Cansou de Comer Esperança

Vejam o drama, vejam a tragicomédia da nossa "juventude educada". Nunca se teve tanto diploma por metro quadrado e tão pouca esperança por batimento cardíaco. O governo abre as portas das universidades como quem abre as comportas de uma represa, jogando todo mundo lá dentro, mas esquece que, do lado de fora, só existe o deserto.

 

É a "estelionatagem da esperança". O jovem passa quatro, cinco anos debruçado sobre livros, gastando o que não tem em pós-graduações com nomes pomposos, para depois descobrir que o seu título de Mestre em Ciências Sociais serve apenas para ele ter uma conversa mais culta com o cliente enquanto entrega um combo de Big Mac. É o mestre-de-obras do nada, o doutor em sobrevivência.

 

O governo, em sua miopia estatística, arrota programas de "incentivo à juventude" como se estivesse distribuindo cestas básicas de dignidade. São "Pés-de-Meia", bolsas-auxílio, programas de "primeiro passo" que, no fundo, são apenas passos em falso. São esmolas institucionais que duram um verão, mas não constroem um inverno seguro. É o Estado tentando apagar o incêndio do futuro com um conta-gotas de populismo.

 

Eles não querem um "auxílio-qualquer-coisa"; eles querem a porra de um horizonte!

 

Mas o que recebem? Um mercado de trabalho que parece um ringue de vale-tudo, onde a única carreira sólida é a subida da ladeira pedalando para o algoritmo. A "uberização" não é apenas um modelo de negócio; é a metáfora perfeita do Brasil atual: você corre como um condenado, não chega a lugar nenhum e ainda tem que agradecer ao aplicativo por deixar você trabalhar 14 horas por dia.

 

O PT fala de "pleno emprego" enquanto o jovem vê apenas o "pleno desespero". Existe um abismo entre o gráfico colorido que o ministro apresenta em Brasília e a cara de tédio do garoto que percebeu que o seu diploma de engenharia vale menos que uma boa avaliação no iFood.

 

É a geração do "quase". Quase se formou, quase conseguiu um emprego, quase teve um futuro. O governo Lula acha que a juventude se sustenta com a memória do Prouni, mas essa garotada quer saber é do amanhã. E o amanhã deles não tem carteira assinada, tem apenas uma bateria de celular descarregando e a sensação de que foram enganados por um discurso que prometeu o céu e entregou um vale-transporte.

 

A verdade dói, e ela vem em 15 segundos de vídeo: o jovem não quer ser "protegido" por um governo paternalista que o mantém na mediocridade assistida. Ele quer o direito de não ser um eterno estagiário do fracasso.

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