Trump ergue tarifas como quem fecha a porta na cara da visita.
“América First” – e nós, na calçada, olhando pelo buraco da fechadura, pedindo para entrar com o sorriso tímido de colônia.
Ele constrói muros, ergue barreiras, e a gente pergunta se pode pintar de verde e amarelo pra ficar mais simpático.
Enquanto isso, México, Índia, Vietnã e até Bangladesh criam rotas alternativas, diversificam mercados, aumentam exportações.
E nós?
Seguimos discutindo se o verde da bandeira é esmeralda ou folha de bananeira.
Patriotas de ocasião
No meio dessa ópera tropical, aparecem os “patriotas” de ocasião – aqueles que juram que o Brasil jamais terá sua bandeira vermelha… mas batem continência para o vermelho das listras da bandeira americana, prontos para aplaudir qualquer medida que venha de lá, mesmo que nos prejudique.
Mas o ponto aqui não é ser patriota de estádio nem militante de gabinete.
O ponto é: estamos perdendo oportunidades gigantescas porque não sabemos jogar o jogo.
Trump defende o dele. E nós?
Trump defende o dele.
O problema é que o Brasil não defende o nosso.
Quando um americano protege sua indústria, é estratégia.
Quando pensamos em proteger a nossa, viramos “retrógrados” ou “estatistas”.
Eles investem bilhões para segurar empregos e incentivar inovação.
Nós, na melhor das hipóteses, exportamos matéria-prima e compramos de volta o produto industrializado, pagando caro pela nossa própria falta de visão.
O complexo de vira-lata
O complexo de vira-lata não é só baixa autoestima; é incompetência estratégica.
Ficamos esperando que a salvação venha de fora, ajoelhados diante do mercado externo, quando deveríamos estar sentados à mesa como negociadores – não como convidados de favor.
Trump nos impõe tarifas e, em vez de reagir com inteligência, perdemos tempo discutindo qual ideologia está “certa” – como se comércio internacional tivesse lado político.
Comércio tem interesse.
E interesse não se negocia com devoção ou ressentimento, mas com estratégia.
O que importa
O Brasil precisa parar de ser cachorro raivoso que ignora o carteiro, mas morde o próprio dono.
Precisamos agir como player relevante no comércio global, capaz de negociar com todos sem ajoelhar para ninguém.
Não é questão de gostar ou não de Trump, Biden, Xi ou quem quer que seja.
É questão de fazer o Brasil pesar na balança.
E, nesse jogo, quem não ocupa espaço… perde o espaço.