
Faltam poucos dias para a realização do júri popular dos acusados pelos assassinatos dos professores municipais de Porto Seguro, Álvaro Henrique e Elisney Pereira. Após 17 anos de manifestações, cobranças por justiça e profundos desgastes físicos e mentais por parte de familiares, colegas e da comunidade escolar, o julgamento foi marcado para o dia 05 de maio de 2026, no Forum de Itabuna. Os crimes ocorreram em 17 de setembro de 2009.
À época, o professor Álvaro Henrique, então com 28 anos, era pai de uma criança de dois anos e havia assumido recentemente a presidência do sindicato da categoria, a APLB. Reconhecido como uma liderança ativa na defesa da educação pública de qualidade, ele também denunciava supostas irregularidades na aplicação de recursos do FUNDEB pela administração municipal. O contexto era de mobilização: a categoria encontrava-se em greve no momento do crime.
Segundo relatos presentes nas investigações, Álvaro teria recebido uma ligação de sua mãe, que, sob coação de criminosos, informou estar passando mal. Diante da situação, ele convidou o colega Elisney Pereira para acompanhá-lo até o sítio onde ela residia. No local, ambos foram surpreendidos e mortos a tiros, sem possibilidade de defesa.
O Ministério Público, após meses de apuração, apresentou denúncia apontando o então secretário municipal Edésio Lima como suposto mandante do crime. Também foram denunciados dois policiais militares, que atuavam na segurança do ex-prefeito à época, acusados de participação no aliciamento e execução do plano.

A realização do júri popular representa um marco para um dos casos mais emblemáticos da história recente de Porto Seguro, que teve ampla repercussão estadual. Para familiares e integrantes da categoria, o julgamento simboliza não apenas a possibilidade de responsabilização dos envolvidos, mas também uma tentativa de encerramento de um ciclo prolongado de dor e impunidade.