Meu poema é um gato insano
Sem nome e subtexto
Rasga a cortina

Espanta no colo
Decepa a pele ao meio
Feito verbo intransitivo
Sem ser e parecer

Corre até o fim do muro
Atrás de uma ponta de linha
Faz pausa e se prende por lá
Como achasse o fim do mundo
Por detrás de uma bolinha

Nalgum tempo após
Aparece dizendo que o agora
Mora na ponta da unha
Dentro de um humor seco
Cheio de pelos no meio
Ronrono e fiapos de lã

Meu poema é um gato insano
Tudo nele é pretexto
Em busca do amanhã

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