Quem nunca teve um cavalo alado?
O meu era tonto desaprumado
Corria louco de lado a lado
Olhando a estrada abobalhado
Só não sabia ficar parado
Voando trôpego desengonçado
Seguia em frente desesperado
O céu fazia-se borrão molhado
E em cada tombo era um recado
Montava o vento e era montado
Sem rédea e freio e sem pecado
Cavalo algum voa adoidado
Se o medo não lhe fora domado
Eu tantas vezes fui derrotado
Enquanto cria em meu sonho alado
Cavalguei prados desajeitado
Aprendi à força a ter cuidado
Sem saber ir sem ter voltado
Tropecei em nuvens chorei calado
Por entre agruras do meu passado
Hoje pousado sobre o telhado
Relincho baixo embaraçado
Analisando meu lado alado
E rio de mim extasiado
Desacordado desaforado:
Quem não tivera um cavalo alado
E que não tenha se perguntado
Era ele ou eu o atabalhoado?