Marcha das Mulheres Negras toma Brasília: Porto Seguro presente!

Brasília viveu, no dia 25 de novembro, um dos maiores atos políticos protagonizados por mulheres negras na história recente do país. Cerca de 500 mil mulheres, segundo as organizações do evento, tomaram a Esplanada dos Ministérios na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, reivindicando direitos e denunciando a persistente discriminação racial, de gênero e salarial no Brasil.

Logo na concentração, um símbolo chamou a atenção: uma mulher negra inflável de 14 metros, portando uma faixa presidencial com os dizeres “Mulheres Negras Decidem”. A imagem monumental se transformou em marco visual da marcha e ponto de encontro para centenas de caravanas vindas de todos os estados.

Entre elas, estiveram com destaque as caravanas de Porto Seguro e região, que levaram centenas de mulheres, incluindo integrantes do ISBCA – Instituto Sociocultural Brasil Chama África, organização que atua no fortalecimento das identidades afro-brasileiras no sul da Bahia.

Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras e uma das articuladoras do movimento, enfatizou a trajetória longa e difícil até a realização da segunda edição da marcha. Para ela, a mobilização sintetiza décadas de resistência e precisa deixar marcas institucionais. “A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro que é importante, necessário — é dever e direito — olhar para a população negra”, afirmou.

A fala destaca a dimensão política da marcha: não apenas denunciar desigualdades, mas exigir que o Estado brasileiro assuma responsabilidades concretas frente à população negra, que segue enfrentando condições estruturais de exclusão.

A pauta desta edição reforça o conceito de reparação histórica, que inclui políticas públicas efetivas contra o racismo estrutural, e o princípio do Bem-Viver, inspirado em cosmovisões africanas e indígenas que defendem relações sociais mais justas, comunitárias e sustentáveis.

As reivindicações abrangem áreas como:

  • enfrentamento à violência doméstica, política e institucional;
  • igualdade salarial e valorização do trabalho das mulheres negras;
  • acesso à saúde integral com perspectiva antirracista;
  • políticas efetivas de educação, memória e cultura afro-brasileira;
  • defesa da democracia e combate às desigualdades socioeconômicas.

A forte presença de mulheres de Porto Seguro e municípios vizinhos evidencia a crescente articulação regional em torno do movimento de mulheres negras. Instituições como o ISBCA vêm desempenhando papel importante na formação política, no resgate cultural e na organização comunitária, contribuindo para que a região esteja representada nos principais debates nacionais sobre antirracismo e direitos humanos.

A marcha não se encerrou com o ato. Para as participantes, ela representa o início de uma nova fase de pressão política, produção de conhecimento e construção coletiva de soluções. A expectativa é que o evento fortaleça redes de mulheres negras em todo o país e impulsione transformações de longo prazo no Estado brasileiro.

Você também pode gostar de: