Metapoema da condição humana

Há um poema que até o fim dos tempos
Não conseguirá se escrever

As palavras lhe sempre desaparecerão
Da ponta da língua

Umas a garganta deverá engolir
Outras sumirão no breu do pensamento
Mas não silenciadas
Por estarem impróprias para estarem aqui

Das demais resguardamo-nos
Como se amanhã voltassem a dizer
E poderão nos servir

Então poeta e poema talvez jamais
Deixarão de existir

@psrosseto

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