Minha solidão se prende a cidades diferentes
Que não pertencem a nenhum país
Nem nação nem continentes
Minha solidão habita nuvens elevadas pelos ventos
Pintadas do branco em cinzas entravadas em julgamentos
Longe da contagem do tempo
Sem linguagem nem religiosidade nem argumentos
Não tem copas suas árvores
Não tem árvores nem há sonhos de subir por entre as folhas
Ir trepado pelos galhos atrás de frutos estranhos
Que dependuram no alto e caem quando maduros
Não tem pássaros repousando nem casas de marimbondos
Não tem formigas nem besouros flutuando pelo escuro
Minha solidão mantém portas atentas às esperas
Porém certas de que não vem
Mas sou eu quem cerca em muros as beiras das minhas nuvens
Sou eu quem as seguro e as retém
Minha solidão é pavão com asas de olhos molhados
E pés sem chão
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