Olhe para o contrário da fotografia
Deixa que o que te escapa à margem
Te fascine
Não o nome da coisa
Mas o ínfimo pó que baila ao sol
E se põe deitado sobre a mesa
Não a canção apenas
Mas o zunido que fica no ouvido
Depois que a música silencia
Não a palavra mas seu contorno
O efêmero que ela preenche
Depois que se esvazia
Guarde o avesso e o anverso
O rascunho do que resta
Guarde o que não serve para nada
A não ser para lembrar-te
Que tudo tem seu oposto
E guarda-me ao menos num verso
Se eu não te couber numa poesia
@psrosseto