Patriotismo às Avessas: Bandeira dos EUA destaque em ato Bolsonarista no Dia da Independência do Brasil

No dia reservado à celebração da independência do Brasil, 7 de setembro, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco da maior manifestação bolsonarista do país. Em meio a discursos inflamados, ataques às instituições e apelos por anistia a condenados e acusados por golpe de estado, um detalhe simbólico chamou a atenção: uma enorme bandeira dos Estados Unidos estendida com destaque, enquanto a bandeira brasileira — tradicional símbolo de patriotismo — aparecia em escala muito menor, como coadjuvante.

O contraste não poderia ser mais gritante. Enquanto os manifestantes entoavam palavras de ordem em nome do "patriotismo", o ato em si escancarava uma profunda contradição. A exaltação de uma nação estrangeira no lugar de símbolos nacionais enfraquece o discurso daqueles que afirmam defender a pátria acima de tudo. A cena gerou críticas nas redes sociais e reacendeu o debate sobre o verdadeiro significado do patriotismo — e a quem ele serve, principalmente, pelo fato de que o país exaltado está sancionando o Brasil com tarifaço comercial e punição às autoridades locais por motivos obscuros.

O evento foi marcado por ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), críticas duras ao governo federal atual e um insistente pedido de anistia para os envolvidos na tentiva de golpe de estado, inclusive, dos acusados nos atentados de 8 de janeiro de 2023, quando a Praça dos Três Poderes foi invadida por grupos extremistas inconformados com o resultado eleitoral, claramente manipulados pelos interesses particulares dos políticos de extrema direita. A manifestação, embora embasada no direito constitucional à livre expressão, foi protagonizada por setores que, paradoxalmente, defendem regimes autoritários e clamam por intervenção militar.

As cenas vividas na capital paulista se repetiram em menor escala em diversas cidades pelo país, evidenciando que uma parcela expressiva da população ainda adere ao discurso bolsonarista, mesmo diante de seu histórico de ataques às instituições democráticas.

Mais do que uma celebração da independência, o 7 de setembro de 2025 revelou um país ainda em disputa simbólica e ideológica sobre os valores que devem guiar sua nação. A apropriação de datas históricas para fins políticos não é novidade, mas o uso distorcido de símbolos e discursos levanta um alerta: quando o patriotismo é seletivo, ele deixa de ser nacionalismo e passa a ser ferramenta de manipulação.

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