Pindorama abandonada: povo bloqueia BR-367

 

Pindorama grita por socorro. Pela segunda vez em menos de um mês, os moradores do distrito de Porto Seguro foram obrigados a interditar a BR-367, transformando o asfalto em trincheira de luta contra o descaso do poder público e a omissão da empresa concessionária.

No dia 15 de agosto, a empresa Brasileiro anunciou que deixaria de operar o itinerário entre Pindorama e o centro da cidade. No dia 18, a comunidade já havia sentido na pele o caos: sem ônibus, trabalhadores, estudantes e idosos ficaram isolados, obrigados a paralisar suas atividades e protestar para que o serviço voltasse a rodar. Agora, no dia 02 de setembro, a cena se repete: ônibus ausentes, moradores abandonados, e a única saída foi fechar novamente a rodovia.

Mesmo debaixo de chuva, homens, mulheres e jovens ocuparam a pista, ergueram barreiras de entulho e enfrentaram a lentidão do trânsito para gritar que Pindorama não aceita viver como se fosse um território invisível.

Ao mesmo tempo, o bloqueio da BR-367 provoca prejuízo a milhares de pessoas que precisam transitar pela rodovia. Caminhoneiros ficam parados, trabalhadores se atrasam, turistas se irritam com o engarrafamento. É um sacrifício coletivo que atinge quem nada tem a ver com a crise.

Mas a responsabilidade por esse transtorno não é do povo de Pindorama, que luta por sobrevivência. O verdadeiro culpado é o poder público que se omite, empurrando comunidades inteiras a recorrer a medidas extremas para serem ouvidas.

A cada dia sem ônibus, o trabalhador perde o emprego, a criança perde a aula, o doente perde a consulta. É a vida da comunidade que fica paralisada.

Este é apenas mais um capítulo do problema crônico do transporte coletivo em Porto Seguro. Em todas as linhas, os usuários sofrem com ônibus que não cumprem horários, quebram com frequência e prestam um serviço vergonhoso. Não é apenas Pindorama: toda a cidade paga caro por um transporte que não funciona.

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