
Promessa de campanha ignorada, potencial de arrecadação milionária e dúvidas sobre a aplicação dos recursos. Esses são alguns dos elementos que cercam a volta da cobrança de estacionamento rotativo em Porto Seguro, medida que será implantada a partir deste sábado, 25 de outubro, inicialmente em caráter educativo. Após sete dias, a cobrança começará efetivamente: R$ 3,50 por hora para carros e R$ 1,50 para motos.
A chamada “zona azul” começa no centro da cidade, mas já há previsão de expansão para bairros como Baianão, além dos destinos turísticos Arraial d’Ajuda e Trancoso.
Do discurso à prática
Durante a campanha eleitoral de 2020, o atual prefeito Jânio Natal se posicionou contra a cobrança de estacionamento nas ruas — uma promessa que ganhou força entre eleitores descontentes com a medida implantada anteriormente. Agora, contrariando o próprio discurso, Jânio Natal implementa o sistema.
O funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 14h.
Com tarifas fixas e uma ampla área prevista para cobertura, a medida tem potencial de arrecadação significativa. A expectativa de receita milionária, no entanto, levanta questões sobre a destinação dos recursos.
Diante desse cenário, cabe ao Ministério Público, à Câmara de Vereadores e à própria sociedade civil organizada o papel de fiscalizar com rigor a aplicação dos recursos arrecadados com a nova cobrança.
A adoção de um sistema de estacionamento rotativo pode ser legítima se associada a um plano de mobilidade urbana transparente e participativo. No entanto, quando implementado sem diálogo, sem benefícios para os moradores e em contradição com promessas eleitorais, tende a ampliar a desconfiança da população em relação à gestão pública.