
Enquanto o governo municipal investe em festas, obras de fachada e novos empréstimos milionários, a população enfrenta alagamentos e descaso.
As fortes chuvas que atingem Porto Seguro nas últimas semanas expuseram, mais uma vez, a falta de planejamento urbano e a ausência de políticas públicas de prevenção a desastres naturais. Ruas alagadas, encostas desmoronando e escolas tomadas pela lama revelam um cenário de abandono.

Enquanto isso, a atual gestão municipal promove eventos milionários para anunciar a construção de pontes — como a que ligará Porto Seguro a Arraial d’Ajuda — e planeja outras obras de grande visibilidade, vistas por parte da população como vitrine eleitoral. Além disso, a administração vem contraindo empréstimos milionários, ampliando o endividamento do município, mesmo diante de uma arrecadação bilionária, e sem garantir transparência sobre a aplicação desses recursos.

Na Escola Higina Cristo, localizada no Quadrado de Trancoso, professores e direção precisaram realizar, por conta própria, a limpeza do local para uma reunião no sábado, dia 25 de outubro. O pátio, as salas de aula e até a secretaria foram tomados pela sujeira levada pela enxurrada, sem que houvesse qualquer apoio de equipe técnica ou especializada.
O episódio reflete o sentimento geral de abandono que se espalha entre os moradores. Mais do que obras monumentais e anúncios de novos financiamentos, a população clama por gestão responsável, transparência nos gastos públicos e intervenções que tornem Porto Seguro uma cidade segura e preparada para enfrentar o mau tempo — e não apenas um palco de promessas e publicidade política.