
A direção nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) decidiu, no sábado (7), rejeitar a proposta de formar uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores (PT). Apesar disso, o partido reafirmou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A deliberação representou uma derrota para o setor interno que defendia a aliança formal com os petistas. Em documento aprovado pela direção, o PSOL afirma que a decisão busca preservar a autonomia partidária ao mesmo tempo em que mantém o compromisso com a unidade das forças de esquerda diante do avanço da extrema direita no país.
“A nossa decisão, tomada de forma unânime, demonstra o compromisso com a unidade do campo progressista e popular”, afirmou a presidenta do partido, Paula Coradi, em publicação nas redes sociais. Segundo ela, a experiência eleitoral de 2022 evidenciou a importância da convergência entre partidos de esquerda para derrotar o que classificou como um projeto “autoritário e antidemocrático”.
A proposta de federação havia sido apresentada pela direção do PT e contou com o apoio da corrente interna Revolução Solidária, ligada ao deputado federal e ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O grupo defendia que a união formal poderia fortalecer o campo progressista nas eleições de 2026 e ampliar a coordenação política entre as legendas.
Após a decisão, a corrente divulgou nota criticando o posicionamento do Diretório Nacional do PSOL. No texto, classificou a rejeição da federação como “um erro político grave”.
“O partido opta por fechar uma porta que poderia fortalecer o campo de esquerda e ampliar nossa capacidade de enfrentar o bloco conservador no país”, afirma o comunicado.
Mesmo com a divergência interna, o PSOL reiterou que seguirá defendendo a unidade das forças progressistas no cenário nacional. A decisão indica que o partido pretende manter alianças eleitorais e programáticas com outras legendas de esquerda, mas sem formalizar uma federação que implicaria atuação conjunta obrigatória por pelo menos quatro anos.
O debate expõe diferentes estratégias dentro do PSOL sobre a relação com o PT e o papel do partido na reorganização da esquerda brasileira para o próximo ciclo eleitoral.