

O cenário é considerado preocupante sobretudo porque ocorre em paralelo a dois movimentos claros: o crescimento populacional da cidade e o contínuo sucesso turístico, especialmente durante a alta temporada. Em nível nacional, o Brasil vem acumulando resultados positivos na geração de empregos formais, o que torna o desempenho de Porto Seguro ainda mais destoante.
Especialistas apontam que a redução pode indicar um avanço da informalidade, fenômeno comum em cidades turísticas, mas que tende a se agravar quando não há políticas públicas voltadas à formalização do trabalho. Setores como hotelaria, bares, restaurantes e serviços, tradicionalmente grandes empregadores formais no município, podem estar contratando menos sob o regime da CLT.
Outro fator que chama atenção é a proliferação de condomínios e imóveis voltados exclusivamente para locação por temporada. Esse modelo, cada vez mais presente na cidade, costuma gerar menos empregos formais diretos, além de apresentar menor impacto na arrecadação de impostos quando comparado a hotéis e pousadas tradicionais, que mantêm equipes fixas e estrutura operacional permanente.
A combinação desses elementos levanta questionamentos sobre o modelo de desenvolvimento adotado no município e seus reflexos na vida da população local. Em uma cidade que depende fortemente do turismo, a precarização do trabalho e a redução de empregos formais podem aprofundar desigualdades sociais e fragilizar ainda mais a economia fora dos períodos de alta estação.
Além da queda recente, a proporção de empregos formais em relação à população total de Porto Seguro também chama atenção. Com 182,6 mil habitantes e apenas 36,2 mil empregos com carteira assinada, o município apresenta uma taxa de formalização de 19,82%, um patamar considerado baixo, sobretudo para uma cidade de porte médio e com forte dinamismo económico baseado no turismo. O número reforça a percepção de que uma parcela expressiva da população economicamente ativa está na informalidade, em ocupações precárias, temporárias ou sem qualquer proteção trabalhista, o que agrava a vulnerabilidade social e reduz a capacidade de arrecadação e de planeamento do próprio município.
A queda no número de vínculos formais surge, assim, como um sinal de alerta que exige atenção do poder público, tanto na formulação de políticas de emprego quanto na regulação do crescimento urbano e imobiliário associado ao turismo.