
As reinaugurações da Praça ACM e da Rua Pero Vaz de Caminha, localizadas na sede de Porto Seguro, vêm sendo anunciadas pela Prefeitura como o grande evento de fim de ano do município. No entanto, as obras têm gerado polêmica por apresentarem fortes indícios de uso do dinheiro público para fins de promoção político-eleitoral do prefeito Jânio Natal.
O evento contará com presenças de figuras de projeção nacional, como o neto de Antônio Carlos Magalhães, pré-candidato ao governo da Bahia, além do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Chama atenção o fato de que as inaugurações estejam marcadas para o dia 22 — número do partido do prefeito — o que reforça a leitura de um ato carregado de simbolismo eleitoral.
As obras escancaram uma estratégia recorrente da atual gestão: priorizar intervenções de grande visibilidade, em áreas centrais da cidade, em detrimento de demandas mais urgentes da população. A própria Rua Pero Vaz de Caminha havia sido reformada no ano passado, quando a retirada do canteiro central e de diversas árvores provocou protestos de moradores e ambientalistas. Agora, um ano depois, a via passa por nova intervenção, levantando questionamentos sobre desperdício de recursos públicos.
É de se endender que essas reinaugurações servem mais aos interesses políticos do prefeito — que lançou o próprio filho como pré-candidato a deputado — do que às reais necessidades do município. Enquanto isso, escolas são fechadas, ruas permanecem esburacadas, pontos de ônibus seguem sem abrigo e o lixo se acumula em diversos bairros da cidade.
Ainda assim, a administração municipal investe em festas, fogos de artifício e eventos políticos, reunindo aliados e lideranças nacionais. O cenário se torna ainda mais contraditório diante do apoio de políticos filiados ao PT e ao PCdoB à base do prefeito, que devem dividir o mesmo espaço com representantes da extrema-direita durante o evento.
Para setores da sociedade civil, o caso evidencia a transformação de obras públicas em instrumentos de autopromoção política, em um município onde problemas estruturais seguem sem solução e a população cobra prioridades mais alinhadas ao interesse coletivo.