Réveillon em Porto Seguro: turismo resiste, apesar da Prefeitura

Caos no trânsito de Trancoso foi constante com muitos acidentes

A semana do Réveillon confirmou mais uma vez a força de Porto Seguro como destino turístico. Hotéis cheios, praias lotadas e intensa circulação de visitantes vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior mostraram que o interesse pela região segue em alta. O problema é que esse sucesso acontece apesar da atuação da Prefeitura, e não por causa dela.

O cenário urbano durante a virada do ano foi marcado por coleta de lixo deficiente, com ruas tomadas por sujeira e areia acumulada, especialmente em áreas de grande fluxo turístico. A sensação de abandono foi constante, contrastando com a arrecadação elevada do município e o desempenho recorde da alta temporada.

A mobilidade urbana foi outro ponto crítico. Acidentes frequentes, vias congestionadas, superlotação e um transporte público descrito por moradores e turistas como “tenebroso”, quando não simplesmente inexistente, tornaram deslocamentos simples em verdadeiros testes de paciência.

Na Orla Norte, a desorganização segue como regra. Relatos constantes de direção perigosa, muitas vezes associada ao consumo de álcool, reforçam a ausência de fiscalização efetiva. A falta de um sistema adequado de transporte agrava o problema: barracas fecham acessos à praia, enquanto ônibus de turismo bloqueiam ruas paralelas, prejudicando a mobilidade e impactando negativamente os negócios locais.

Em Arraial d'Ajuda, o martírio se repete. A Prefeitura insiste em ignorar a necessidade evidente de fechar o centro do distrito para veículos, medida amplamente adotada em destinos turísticos consolidados no Brasil e no mundo. O resultado é um centro caótico, pouco convidativo para pedestres e visitantes.

Já em Trancoso, a gestão municipal conseguiu piorar o que já era ruim: alterou a ordem do trânsito em plena alta temporada, provocando confusão generalizada em um distrito que já possui a pior mobilidade da região.

Em Caraíva, os buggys seguem transitando pela Rua da Estação, área tombada, perturbando moradores, colocando pedestres em risco e causando prejuízos ao patrimônio histórico e à qualidade de vida da comunidade local.

Enquanto isso, a Prefeitura parece acreditar que “vender o destino” em feiras de turismo é suficiente para garantir o futuro do setor. Não é. Hoje, quem efetivamente promove Porto Seguro são as redes sociais, os influenciadores e os famosos que visitam a região espontaneamente. Mas esse marketing orgânico exige contrapartida: cidades organizadas, limpas, seguras e com infraestrutura mínima.

O que se vê, ao longo dos anos, é uma gestão que atua como obstáculo ao desenvolvimento turístico. Falta planejamento, falta execução e, sobretudo, falta visão de futuro. Não há políticas estruturadas de sustentabilidade, ecoturismo, mobilidade inteligente ou ordenamento territorial compatível com a relevância internacional do destino.

Porto Seguro continua encantando, pela natureza, pela cultura e pela força do seu povo. Mas o Réveillon de 2025 deixa claro que o turismo local segue avançando apesar da Prefeitura, e não graças a ela.

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