
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso — avançou na Câmara dos Deputados, mas segue sem definição no Senado Federal. A tramitação da matéria tem sido acompanhada com expectativa por trabalhadores e entidades sindicais, que defendem maior celeridade na análise da proposta.
No Senado, a condução da pauta depende da presidência da Casa, atualmente exercida pelo senador David Alcolumbre. Desde o início das discussões sobre a matéria, setores favoráveis à PEC criticam a demora na tramitação e afirmam que o tema ainda não recebeu a prioridade considerada necessária diante de sua relevância social.
Nos bastidores políticos, circula a avaliação de que a votação poderá ocorrer somente após o período eleitoral. Para defensores da proposta, um calendário posterior às eleições tende a reduzir a pressão popular sobre os parlamentares, enquanto aqueles que defendem uma apreciação imediata argumentam que o momento atual favoreceria um debate mais conectado às demandas da sociedade.
O debate voltou a ganhar destaque durante audiência pública realizada no Senado nesta quarta-feira (1º), quando a diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, apresentou argumentos contrários à mudança da jornada.

"Eu trabalho cinco por dois e, aos sábados, qualquer mulher que está nesse plenário, que está no centro urbano ou que está numa comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender? (...) Aos domingos eu abasteço o supermercado, eu busco comida para minha família, eu compro remédio para minha mãe. Vai estar tudo fechado aos domingos para mim? É certo isso?", afirmou durante a audiência.
A declaração repercutiu nas redes sociais e reacendeu o confronto entre duas visões distintas sobre a organização da jornada de trabalho. De um lado, representantes do setor empresarial argumentam que mudanças na escala podem provocar impactos econômicos, aumentar custos operacionais e afetar a oferta de serviços. Do outro, trabalhadores e movimentos sociais sustentam que a redução da jornada representa um avanço na qualidade de vida, na saúde física e mental dos empregados e na valorização das relações de trabalho.
Mais do que um debate técnico sobre organização do mercado de trabalho, a discussão em torno do fim da escala 6x1 tornou-se um tema político e social. A velocidade de sua tramitação dependerá não apenas das decisões institucionais do Congresso Nacional, mas também da capacidade de mobilização dos diferentes setores interessados.
MOBILIZAÇÃO POPULAR, JÁ!
A história das principais conquistas trabalhistas no Brasil demonstra que mudanças dessa natureza dificilmente ocorrem apenas por iniciativa institucional. Em diferentes momentos, direitos como férias remuneradas, jornada de oito horas, licença-maternidade e ampliação da proteção social foram precedidos por intensa participação de sindicatos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Independentemente do desfecho da PEC, o debate evidencia que temas relacionados às relações de trabalho continuam sendo influenciados pelo equilíbrio entre interesses econômicos, decisões políticas e participação popular. Nesse contexto, a mobilização social permanece como um dos principais instrumentos de pressão democrática sobre o processo legislativo.