Há países que investem em educação. Outros em tecnologia. O Brasil, sempre inovador, resolveu investir em turismo político internacional.
Não qualquer turismo. Turismo de luxo, com verba pública, roteiro internacional e propósito nobre: atravessar o oceano para tentar vender a ideia de que um condenado aqui virou perseguido político lá fora uma espécie de turista jurídico que troca tornozeleira por milhas aéreas.
E quem paga a passagem?
Você já sabe a resposta.
O mais curioso não é nem o destino. Os Estados Unidos sempre foram esse lugar simbólico onde brasileiros vão em busca de validação, como se a chancela estrangeira fosse capaz de reescrever a realidade doméstica.
O curioso mesmo é o ponto de partida.
Em um país com fila na saúde, escolas em colapso silencioso e cidades que aprenderam a conviver com o improviso como regra, há senadores com tempo, disposição e dinheiro suficiente para organizar uma pequena excursão internacional.
Não é falta de prioridade. É excesso de liberdade.
Porque quando um parlamentar decide que sua missão institucional é atuar como uma espécie de advogado internacional de um caso específico, ele está dizendo, sem dizer, que o Senado virou outra coisa.
Virou agência de viagem com pauta ideológica.
E não é qualquer viagem. É uma viagem com tese: transformar um réu em símbolo, um processo em narrativa e uma condenação em argumento político.
Tudo isso fora do país.
Tudo isso com dinheiro público.
Existe uma sutileza perversa nisso tudo. Não se trata apenas de gastar. O Brasil sempre gastou mal. Isso já não escandaliza mais ninguém.
O problema é gastar com propósito deslocado.
É como se o cidadão pagasse impostos para financiar um roteiro que não melhora sua vida, não resolve um problema concreto e, no fim, ainda amplia o ruído institucional que já domina o país.
É o contribuinte patrocinando a exportação do próprio conflito.
No fundo, a viagem não é sobre quem está sendo defendido.
É sobre quem quer aparecer defendendo.
Porque em tempos de polarização, cada gesto precisa ser performático, cada ação precisa render manchete e cada passagem aérea precisa virar capital político.
O resto é detalhe.
O Brasil não é um país pobre. É um país que escolheu gastar energia demais com o que não retorna.
E talvez essa seja a nossa maior especialidade:
transformar recursos escassos em espetáculo abundante.
Enquanto isso, o cidadão comum segue aqui, financiando a viagem… sem nunca ter sido convidado para decidir o destino.