
A escalada da ofensiva contra Cuba ocorre no início do segundo mandato de Donald Trump, marcado pela retomada de uma política externa agressiva na América Latina e pelo aprofundamento dos princípios históricos da Doutrina Monroe. Em 29 de janeiro, o presidente estadunidense assinou um decreto autorizando a imposição de tarifas contra países que “vendam ou forneçam petróleo a Cuba”, ampliando o cerco econômico já imposto pelos Estados Unidos e intensificando os impactos diretos sobre a população da ilha.
A medida agrava uma crise energética que se aprofunda há anos em razão do bloqueio econômico, comercial e financeiro. O petróleo é hoje a necessidade mais urgente do país: dele depende a geração de energia elétrica para residências, hospitais, escolas e serviços públicos, além do abastecimento de veículos, transporte de alimentos e funcionamento de aeroportos. A escassez de combustível compromete toda a dinâmica social e produtiva.
Campanha Petróleo para Cuba mobiliza o Brasil
Diante desse cenário, organizações brasileiras intensificaram ações de solidariedade por meio da campanha Petróleo para Cuba. A iniciativa reúne o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e a rede Causas Justas, além de entidades populares, centrais sindicais, partidos políticos e personalidades públicas. Federações nacionais dos petroleiros também manifestaram apoio à proposta de envio emergencial de combustível.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participa ativamente da campanha, reforçando a tradição histórica de solidariedade latino-americana construída pelos movimentos populares brasileiros. Para essas organizações, defender Cuba significa defender a soberania regional diante de pressões externas.
Repercussão internacional
Ainda que mantenha forte alinhamento político e econômico com Washington, a União Europeia começa a emitir sinais de preocupação com os efeitos humanitários do endurecimento das sanções. Paralelamente, Rússia e China indicam a possibilidade de ampliar o envio de suprimentos e cooperação energética, movimento que também se insere na disputa geopolítica global.

Solidariedade concreta: como ajudar
A urgência das doações é evidente. Além da pressão política pelo fim do bloqueio, a solidariedade internacional pode assumir formas concretas:
- Contribuições financeiras às campanhas organizadas pelo Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba e pela rede Causas Justas (divulgadas em seus canais oficiais).
- Apoio às iniciativas do MST e de centrais sindicais que organizam arrecadações e atos públicos.
- Contato com a embaixada cubana no Brasil para informações sobre formas oficiais de doação de insumos ou recursos.
- Mobilização em sindicatos, universidades e movimentos sociais para promover debates e arrecadações solidárias.
A crise energética em Cuba não é apenas um problema interno: ela reflete a permanência de uma política de asfixia econômica que atinge diretamente a população civil. Defender Cuba, nesse contexto, é reafirmar o princípio da autodeterminação dos povos e fortalecer a integração soberana da América Latina.
A solidariedade internacional, neste momento, pode significar luz nas casas, funcionamento de hospitais e abastecimento de alimentos. Mais do que um gesto político, trata-se de uma ação humanitária urgente.