
Falta de parquímetros, ausência de pontos de venda e reclamações de multas colocam em xeque o funcionamento do estacionamento rotativo
A Zona Azul de Porto Seguro, criada com a promessa de organizar o estacionamento e garantir a rotatividade das vagas, está provocando reclamações de moradores, turistas e comerciantes.
A principal pergunta é: para que serve a Zona Azul e para onde vai o dinheiro arrecadado?
O comunicador digital Tadeu Prosdocimi denunciou problemas na operação e apontou que os equipamentos previstos no contrato não estariam funcionando. Segundo ele, deveriam existir 9 parquímetros em Arraial d'Ajuda e 38 no Centro de Porto Seguro, mas nenhum estaria funcionando regularmente. Também não haveria Pontos de Venda (PDVs) em atividade para a compra de créditos.
O problema é simples e grave: como o cidadão pode cumprir a regra se não encontra meios adequados para pagar pelo estacionamento?
Moradores e turistas relatam multas mesmo diante das dificuldades para adquirir os créditos. A situação alimenta a percepção de que o sistema pode estar funcionando mais como mecanismo de arrecadação e punição do que como instrumento de organização do trânsito.
E o dinheiro?
A população também precisa saber quanto entra, quanto fica com a empresa e quanto vai para o município. Mais importante ainda: qual é a destinação desses recursos?
Transparência não é favor. É obrigação quando se cobra do cidadão pelo uso de um espaço público.
Comércio também sente o impacto
Comerciantes das áreas onde a Zona Azul foi implantada reclamam dos efeitos sobre o movimento. A preocupação é que a cobrança e a dificuldade de estacionamento afastem consumidores.
A CDL de Porto Seguro, que apoiou a implantação da Zona Azul na Câmara de Vereadores e em outros espaços, precisa agora dizer se continua defendendo o modelo diante das falhas denunciadas e das reclamações dos comerciantes.
A entidade deveria cobrar o funcionamento adequado do sistema, assim como o cumprimento do contrato.
A Zona Azul pode ser uma ferramenta legítima de organização urbana. O que não pode é o cidadão pagar, correr o risco de ser multado e ainda não saber como pagar corretamente, quanto está sendo arrecadado e para onde vai o dinheiro.
Porto Seguro precisa de menos cobrança sem explicação e mais transparência.